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sábado, 14 de maio de 2011

VOLTEI!!!!


Desculpem a minha longa ausência, aqui no espaço. Fiquei nove dias sem computador. O sem vergonha chegou agora pouco do conserto.
Admito que poderia ter ido a uma Lan House, mas, vocês sabem como é um lugar desses: cheio de crianças falando, não dá pra se concentrar e, no final, o resultado é uma merda.
Mas tá tranquilo, tô de volta!
Segue abaixo, o Capítulo dez de Sol e Lágrimas, a novela que não perde tempo beijando saco de rico empresário e estereotipando operário, como as sacais novelas da tv.
Em breve, estarei no espaço dos meus amigos, contemplando tudo aquilo de saboroso que não acompanhei, nesses últimos nove dias.
AMO VOCÊS!

Provérbio: Em banheiro que possui bidê, nunca saia enxugando o rosto em qualquer toalha.
Obrigado...

Sol e Lágrimas - Cap. X

Por: Alexandre Mendes

As tristes recordações do passado de Odimar foram interrompidas, enquanto ele se aproximava do velho casebre de seus pais. Agachou-se no interior do matagal, na intenção de camuflar-se. Começou a contemplar a cabana e os pensamentos depressivos retornaram a sua mente. Sentia saudades do que não teve a oportunidade de viver, naquele lugar.
As árvores ainda adornavam o entorno da paisagem. A pequena roça de Alcebíades estava do mesmo tamanho; da mesma forma que era, quando ele a viu pela última vez. A porta e as janelas do barraco, feitas com ripas de madeira, ainda mais carcomidas pelo tempo e pelas traças, eram as mesmas. O barro ressecado sobre a palha seca que Odimar colhera pela última vez, afim de retocar a parede, ainda estava lá.
- "Puxa! Que saudades!" - Pensou o rapaz, com lágrimas nos olhos. Lembrou-se do dia em que retornou para a casa dos seus pais. O período de sua vida, perdido no cativeiro, custou-lhe os melhores anos de sua adolescência. Retornou aos dezenove anos para casa. Treze longos anos desperdiçados, enquanto enriquecia o Coronel da região.
A lamentável falta de contato com as mulheres, forçou-o a praticar seus impulsos sexuais com as ovelhas da fazenda. A zoofilia fez parte de sua formação sexual, após os doze anos de idade. Quando chegou aos dezesseis, passou a poupar somente os filhotes. Odimar tinha certeza de que já havia violentado todas as ovelhas mais velhas, quando completou dezoito anos. Por mais que fosse vigiado, dava um jeito de desaparecer, por detrás dos arbustos, com os animais. Ao ser dispensado do serviço de pastoreio, Odimar iludira-se com a esperança de ser livre. No entanto, o amargo sabor da escravidão infantil, foi temperado com o fogo e o enxofre das plantações em que seu pai era servo. Seu trabalho passou a ser o de plantar, colher e, para a sua desgraça pessoal, alimentar os animais da fazenda. Enquanto as vacas matavam a sede no bebedouro, Odimar subia em um caixote e descarregava o seu stress. Enquanto os porcos se alimentavam da lavagem, Odimar aliviava o peso de seus testículos. O problema veio a tona, quando as galinhas começaram a aparecer mortas. As coitadas não conseguiam resistir ao furor sexual do rapaz.
O caso foi investigado pelo capataz Olivença. Ao ver as marcas do evidente estupro, o feitor acusou Odimar, perante o patrão, que acabou declarando a pena de castração para o rapaz. Felizmente, a punição fora reduzida para expulsão da região, após a incessante súplica de Nonó, que viajou a pé, durante uma semana, até a sede da fazenda, pedindo a clemência de Seu Sebastião. Por isso, Odimar tinha a consciência de que, se a sua vida havia sido poupada, foi por intermédio de sua mãe. Aquele momento era a oportunidade de retribuir o favor, salvando a vida de Nonó.
Odimar ainda contemplava a cabana, quando percebeu, entre os arbustos da lateral direita, um cavalo puro sangue pastando no local, amarrado a um pé de manga. Esgueirou-se pela mata, até o animal. Observou-o, atentamente, e não teve dúvida: Ele pertencia a Seu Sebastião.
Odimar suava frio e sua respiração era audível. Sacou o revolver da cintura e engatilhou a peça. Caminhou, meticulosamente, na direção da janela entreaberta.
- Não! Não! Me solta, seu cafajeste! - Era a voz de sua mãe, não havia dúvida. Odimar pôs-se de pé, em frente a janela, apontando a arma para o interior do cômodo. Seus olhos avermelharam-se de fúria, ao ver a cena que se desenrolava, dentro do barraco de seus pais: Nonó estava no chão, lutando por sua dignidade, enquanto um velho imundo a subjugava, violentamente, tentando tirar o seu vestido remendado. O estuprador era ele... o próprio... Seu Sebastião

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mataram Bin Laden... E daí?


Por: Alexandre Mendes

Estou até agora tentando entender o interesse da imprensa brasileira, em transmitir a notícia sobre a morte do líder da Al Qaeda, com tanta alegria. Cheguei a escutar uma repórter dizer:
- O Ocidente comemora a morte de Bin Laden!
Segundo o noticiário, os americanos afirmam que após o assassinato, eles jogaram o corpo do príncipe saudita no mar. Será verdade ou apenas uma manobra política?
Tal desconfiança sobre a veracidade do fato, surge a partir da análise histórica sobre a política escroque e imperialista dos EUA. Digo isso, porque, até hoje, só vi a “Polícia do Mundo” gastar bala em lugares que despertam seu interesse financeiro ou pelo desejo de vingança.
Durante o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão tomou duas bombas nucleares na cabeça. A invasão nipônica em Pearl Harbor, com seus Kamikases suicidas, tornou os sonhos do presidente Henry Trumman em pesadelo. A única forma de apascentar a população norte-americana era causar a total devastação de Hiroshima e Nagazaki.
 O Oriente Médio tem sentido o mesmo tipo de pressão norte-americana, desde a invasão de Saddam Hussein no Kwait. Nesse episódio, o que estava em jogo, era o petróleo em território kwaitiano.
A questão é que, se mataram Bin Laden, cadê as provas? Fotos?
Não. Eles dizem que não mostrarão, por medidas de segurança. Mas, mesmo se mostrassem alguma prova, poderia ser apenas uma montagem, um efeito especial. Os norte-americanos fazem isso em filmes, como ninguém.
Quanto a Bin Laden, ele pode ter sido assassinado, ainda no começo da Guerra do Afeganistão. Mas, e daí?
Talvez, o EUA tenha só confessado agora, porque sua morte era um trunfo que, como em um filme americano, teria que acontecer no momento certo. A tentativa de desarticular a Al Qaeda e outros movimentos da extrema esquerda islâmica só causou o fortalecimento do ódio dos fundamentalistas.
Quanto ao Brasil, os países islâmicos nunca foram seus inimigos. No entanto, recordem-se das ditaduras Latino-Americanas, financiadas pelo EUA. A desculpa era o “inimigo comunista”. Quanta miséria passou o povo da América do Sul! Empobrecimento dos mais desfavorecidos, dívida externa escravista, prisão, tortura e execução dos insurgentes.
Porque os americanos não bancam a “Polícia do Mundo” na África, erradicando a fome e a miséria, juntamente com os europeus? Acredito que a ação desarticularia, em grande parte, as guerrilhas africanas e, talvez, seja a mais sábia forma, para que os países mais ricos não criem inimigos ao redor do mundo.    


O monstro que vocês afirmam combater foi criado por vocês. Então, se virem!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sol e Lágrimas – Cap. IX


Por: Alexandre Mendes

       Quando chegou o cair da tarde, Odimar ganhou a sombra das árvores que margeavam a trilha, pela lateral do rio. Sua prudência foi, lentamente, sendo tomada pelo cansaço. Colocou o revólver na cintura, novamente, pois só ouvia o canto dos pássaros e o chacoalhar das árvores no vento. O perigo parecia estar muito longe dali. O sol havia o abatido por demais, o seu corpo e a sua mente, entretanto, o desejo de resgatar sua mãe era muito mais forte do que tudo isso. Lembrou-se de como gostaria de ter passado mais tempo com sua família, principalmente, durante a infância. Recordou-se do dia em que foi arrancado de sua família e obrigado a trabalhar no pastoreio das ovelhas, em outra propriedade de Seu Sebastião, a Fazenda Pirucutú. Nesse tempo, Odimar tinha apenas seis anos de idade. Guardou em seu coração, a dura recordação da primeira noite longe de seus pais, dormindo naquele celeiro improvisado de dormitório, junto a outras oitenta crianças, aproximadamente.
Trabalhavam do nascer ao pôr do sol, sete dias por semana e, então, descansavam somente a metade de um dia, de acordo com a escala de folga, feita pelo Capitão Tinoco, o chefe dos capatazes. O meio dia de folga era o único momento em que podiam pensar em si mesmos.
      “Péricles” era um nome que jamais sairia de sua cabeça. O menino era seu vizinho de esteira no celeiro-dormitório e fora seu melhor amigo, dos seis aos dez anos de idade. Péricles tinha a mesma idade de Odimar. Infelizmente, o garoto teve a péssima idéia de fugir do cativeiro. Parecia não agüentar mais a escravidão. Chorava muito, com saudades de sua mãe, enquanto levava o rebanho para o bebedouro.
Certo dia, aproveitara a distração do jagunço que estava no plantão e embrenhou-se, mata adentro, sem destino planejado para a sua vida. O pobre coitado teve o infortúnio de ser capturado, algumas horas depois, pelo Capitão Tinoco e seus auxiliares.
Levaram-no de volta a fazenda e o içaram pelos braços, por uma corda pendurada em um grosso galho de árvore. Seu corpo nú suportou o frio da madrugada e o raios do sol escaldante, durante dois dias, sem comer ou beber nada. De vez em quando, Odimar e os outros meninos podiam ouvir a súplica murmurada por Péricles, pedindo a presença de sua mãe, junto a ele. – “Mãe! Mãeeee!” – E desabava em soluços, até desmaiar novamente.
Odimar trabalhava duro no campo, quando viu Seu Sebastião chegando a cavalo.  O patrão aproximou-se do moribundo dependurado e, ainda montado em seu puro sangue, argumentou com Capitão Tinoco algo indecifrável para o pequeno Odimar, devido a distância em que estava. Em seguida, o fazendeiro lançou suas esporas sobre o lombo do animal, guiando-o em direção aos meninos. Odimar lembra bem daquele olhar maligno do velho sobre eles, amaldiçoando-os: - Espero que sirva de exemplo!
Enquanto muitos ainda tremiam de medo com a presença de Seu Sebastião, poucos perceberam de imediato a fumaça que subia, devido a combustão da carcaça pendurada de Péricles: os bandidos haviam colocado fogo no moleque, ainda vivo, para que os demais presentes jamais ousassem repetir a façanha.

sábado, 30 de abril de 2011

Sol e Lágrimas – Cap. VIII







Por: Alexandre Mendes



O velho ainda não havia percebido que seu filho não estava na cabana. Após gritar três vezes por Odimar e não obter resposta, Alcebíades levantou-se lentamente do leito. Sua cabeça ainda rodava um pouco. Apoiou-se com a mão do braço bom, na parede de palha e barro. Seu braço quebrado estava imobilizado pelos gravetos e a gaze velha, por isso, doía bem menos, agora.

Odimar chegou derepente, trazendo algumas plantas medicinais, para o braço de seu pai. Amarrado por uma corda e pendurado em seu ombro, um lagarto de um metro e pouco: estava garantida a refeição por uns dois dias.

- Não fique de pé, descanse mais um pouco. – Disse ele, colocando seu braço em volta de Alcebíades, como quem quer colocar um bebê no berço.

- Meu filho, sua mãe corre perigo! Precisamos ir até a nossa casa antiga, temos que buscar Nonó! – Disse o velho, extremamente angustiado.

- O senhor não pode ir: está muito mal, ainda. Deite-se. Eu busco a mãe sozinho.

- E se tiver mais de um capanga atrás da gente? Você vai precisar de ajuda. – Disse Alcebíades.

Odimar levantou as raízes que trazia na mão esquerda. – Vou deixar este chá pronto para o senhor beber. È antibiótico e fortificante. Vou sangrar esse lagarto. Se eu demorar, o senhor assa a carne na lenha que eu vou deixar pronta.

Odimar acendeu a fogueira para cozinhar as raízes. Colocou água turva do poço que cavou ao lado do casebre, no único recipiente que tinha para cozinhar. Aquela panela, amassada e velha, ainda era uma lembrança do que ele tinha trazido da casa velha, consigo. Equilibrou-a sobre a grelha enferrujada, com calços de pedra. Logo que as labaredas se estabilizaram sob a panela, colocou as raízes lavadas dentro dela e tampou com uma chapa velha de alumínio. Pegou uma faca e abriu o lagarto na linha do abdômen. Retirou a sua pele escamosa com maestria cirúrgica. Arrancou as suas tripas e depois, o pendurou de cabeça para baixo em um tripé de bambu, nos fundos da cabana. Deixou tudo pronto para seu pai se virar por uns dois dias, enquanto ele iria buscar a sua mãe.

Colocou uma calça comprida, camisa de botão e uma botina desbotada em seu pé: Havia comprado a roupa na cidade de Itapopeba, com o dinheiro da venda de banana na feira central. Guardou-a para usar em uma ocasião especial, como ir ver a sua mãe. Pegou o 38 carregado de balas, trazido por Alcebíades e colocou-o na cintura. Pendurou o facão na cinta e colocou o chapéu de coro velho, que um dia havia sido de seu pai.

- Pai, vou buscar a mãe. O remédio está no fogo. É só botar pra esfriar e beber. Lava o lagarto e coloca na grelha, quando ele secar no sol.

Odimar encheu o cantil de plástico e o amarrou do lado esquerdo da cinta. Deu um beijo na testa de seu pai que, calado e triste, manteve-se em silêncio, durante o desenrolar da cena. Pegou a trilha que corria próxima a margem do rio, na direção da casa de seus pais. Calculou umas seis horas para chegar até lá. Seu coração batia forte e o suor escorria pelo seu rosto. O sol escaldante abatia o matuto, agravando o seu stress. Preocupava-se com o porvir. - “E se eu me deparar com um pau-mandado do Seu Sebastião? Vou ter que matar!” – Dizia enquanto pegava a arma na cintura. Sua vida dependia daquelas seis balas no tambor...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sol e Lágrimas - Cap. VII

Por: Alexandre Mendes

- Pai! O que o senhor faz aqui? - Indagou o homem da cabana, boquiaberto. Sua barba era grande e negra. Seus cabelos eram castanhos e cumpridos, presos por um elástico amarrado. Sua face, enegrecida pela fuligem, era iluminada pelas brasas da fogueira. 
- Odimar, meu filho! - Alcebíades apressou-se em abraçar o filho desaparecido. As perguntas, naquele momento, ficaram para trás. Estavam há três anos sem contato algum. Não se comunicaram nem por carta, pois sabiam que a correspondência de todos os empregados da fazenda, só chegavam na sede e, então, eram violadas por Seu Sebastião.
Alcebíades contou tudo o que acontecera com ele, desde quando saiu de casa, na manhã do dia passado. Odimar lamentou o tempo em que esteve longe de seus pais. - Quantos dias se passaram e eu aqui, longe de vocês...Que saudade, pai! E a minha mãe, como está?
- Ah, meu filho! sua mãe nunca mais foi a mesma, depois que você partiu. - Lágrimas  semi-secas desceram pelos olhos do idoso. 
- Vem comigo. Vou pegar água para o senhor se lavar e trazer roupa limpa. - Disse o rapaz, feliz em ver o pai, mas triste pelos problemas que a família ainda haveria de passar naquele fim de mundo. Alcebíades foi conduzido por Odimar até os fundos da cabana e se lavou com a água armazenada em um galão de margarina enferrujado. O filho lhe trouxe um pano para se enxugar e deu-lhe um trapo velho e remendado para vestir, o qual ousou chamar de roupa limpa. 
Adentraram a cabana e Alcebíades deitou na esteira de palha carcomida, o lugar mais confortável para se dormir no cômodo. Odimar imobilizou o braço quebrado de seu pai, com duas lascas de pau e uma tira de gaze velha. A essa altura, Alcebíades roncava como uma leitoa prenha. Tudo o que passara nas mãos do velho porco capitalista e seu capacho foram demais para seu corpo cansado.
Teve um pesadelo terrível e seu coração bateu mais forte. Saltou da esteira e, para sua surpresa, o dia já havia amanhecido. 
-Odimar! Odimar! - Gritava o velho: - A sua mãe está em perigo! 


E agora? Em breve...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sol e Lágrimas - Cap. VI



Por: Alexandre Mendes

Logo que se refez do ato cometido, Alcebíades pegou a arma da mão de Olivença e saiu em debandada pela mata. Não tinha a menor idéia para onde estava indo. Completamente desorientado e com o corpo dolorido, Alcebíades percorreu pelo interior da mata por, aproximadamente, duas horas seguidas. Chegou a uma clareira, no meio da mata. Alí, um pé de acerola gigante, bem no centro da picada, sombreando a paisagem.
Alcebíades deitou-se embaixo da árvore e descansou seus músculos calejados. Acreditava que o caminho que fazia, o levaria a Chácara Chicória, o lugar habitado mais próximo de onde estava. Mesmo que quisesse, não poderia dormir, pois tinha que ganhar tempo em distância. Sabia que a qualquer momento sentiriam falta de Olivença na fazenda.
De repente, Alcebíades lembrou que tinha deixado alguém para trás. Percebeu que Nonó estava em casa e que poderia estar em apuros. Começou a roer as unhas, hábito abandonado por ele, há muitos anos. – Santo Cristo! Tenho que voltar para buscá-la. Lembrou-se de um rio que passava ali perto, o rio Tupiranga. Seu manancial passava há dois quilômetros de distância de seu casebre, em trecho conhecido por ele. Resolveu, então, descer a margem do rio, no sentido que a águas percorriam. Estava convicto que a sua moradia situava-se para aquelas bandas. Caminhou o quanto pode, até o pôr do sol. Seus olhos tiveram que se acostumar com a escuridão, ligeiramente iluminada pela lua cheia que fazia. Com o revólver calibre 38 em punho, trocava-o de mão constantemente, assim que cansava o braço. A dor do braço quebrado o incomodava bastante, mas isso não foi suficiente para detê-lo em seu caminho. O barulho das cigarras e das corujas acompanhava o velho no percurso. De vez em quando, sentia o vôo rasante dos morcegos sobre a sua cabeça.
Olhou para o horizonte a sua frente, entrecortado pelas árvores e o capim alto da beira do rio. Avistou uma cabana de taipa, circulada por uma cerca de bambu. Uma fogueira era acesa por um vulto, no interior da cerca. A luz crepitante das chamas iluminava o barraco.
Alcebíades colocou a arma na cintura, na proximidade de sua mão esquerda. Não queria problemas. Entretanto, o homem poderia ser amistoso e acomodá-lo, por uma noite, na sua cabana. Sabia que precisava de abrigo e cuidados médicos.
Aproximou-se da cabana e gritou para o homem: - Olá! Poderia me ajudar? Estou cansado e com fome.
O homem parou de manusear o fogo e tentou enxergar quem gritava de dentro da escuridão. Alcebíades se aproximou, cada vez mais do homem e, quando a silhueta de seu rosto se tornou compreensível para ele, sua face descoloriu.
- Não! Eu não acredito...você! – Balbuciou o velho.

Continua...